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28-05-2007
A Taça do Mundo na primeira pessoa

Depois dos 5km Indoor tudo correu mal e o objectivo da Taça do Mundo de Setúbal começou a transformar-se.

Se a 25 de Abril estava em plenas capacidades, na semana seguinte tive o meu primeiro problema de saúde, uma laringite aguda. Recuperei rápido perdendo apenas 4 treinos nessa semana.

Depois de mais 10 dias normais, nova quebra, desta feita muito mais grave. Uma gastroenterite que me atingiu com febre, diarreia e falta de apetite. Perdi 8 treinos e 3kg. A 7 dias de Setúbal fiz um treino no Castelo do Bode onde não fui capaz de nadar mais de 50minutos e mesmo assim num sofrimento brutal.

NunoNa entrada da última semana de treinos após o descanso de domingo, optei por não ir ao mar e ficar-me pelos treinos de piscina a ver se a saúde não me pregava partidas. Após um treino leve 2ª para não forçar muito após uma semana de quase inactividade, treinei bem 3ª feira com 2 treinos de 5km cada. A prova de que não estava bem fisicamente ficou confirmada 4ª e 5ª onde acusei o esforço de 3ª e não consegui treinar com a mesma qualidade.

Sexta-feira fui para Setúbal já com o pensamento de que o meu objectivo teria de ser mais humilde do que o das minhas duas participações anteriores em Taças do Mundo (Sevilha e Setúbal 2006) – tentar terminar no tempo limite.

No dia da prova estava confiante de que o frio não seria o maior adversário, embora o treino da véspera tenha demonstrado que a água estava bem fria – 16.5ºC.

Já durante a prova e logo após a 1ª bóia perdi o grupo da frente e iniciei a minha “maratona” em solitário. Depois ainda passei pelo Hugo Ribeiro aos 2km, pouco antes dele desistir devido ao frio e continuei sem companhia. Abasteci pela primeira vez aos 4.8km quando o meu treinador me advertiu que estava a 17minutos do 1º classificado. Nesta altura, mudei os meus objectivos e sem nunca pensar em desistir, continuei a nadar só com o pensamento de terminar a prova. No 2º abastecimento (8.1km) já estava a 32minutos e só nessa altura arranjei companhia para fazer o final da prova - lado a lado com Monick Avelino do Brasil.

Cheguei ao fim sem o frio dos meus adversários, mas cheguei bem longe de todos os que terminaram. À minha frente chegaram Fernando Costa com 2h40m e Daniel Viegas com 2h49m e eu só cheguei às 3h07m. De qualquer forma fui o 3º português, facto de que não estava à espera, uma vez que só depois de terminar soube que a restante delegação tinha toda desistido devido ao frio. Uma palavra ainda de Parabéns para as vimaranenses Amélia Fernandes e Daniela Pinto que terminaram no tempo limite.

A sensação que fica é que infelizmente não pontuei para a Taça do Mundo, mas fica a vitória da persistência e da resistência ao frio. Obrigado a todos os que me apoiaram com especial destaque ao Pascoal Mendes, que escreveu as seguintes palavras:

“Embora o objectivo de pontuar para a Taça do Mundo não tenha sido alcançado nesta etapa, (já tinha conseguido nas anteriores participações) o Nuno Vicente mostrou aqui a razão de ser deste grande projecto que é a “Travessia do Canal da Mancha” e características essenciais para uma travessia com tantas dificuldades: persistência e resistência mental.

Apesar de receber em cada ponto de abastecimento noticias pouco animadoras em relação à possibilidade de pontuar nesta etapa e enquanto outros desistiam (dos 19 competidores masculinos, só 10 chegaram ao fim), o nosso “Vice” manteve-se em prova e ao fim de mais de 3 horas a nadar em águas cuja a temperatura rondava os 16.5º C, terminou mais uma etapa da Taça do Mundo de Águas Abertas. Foi necessário afastar constantemente os pensamentos negativos e concentrar-se no mais importante para qualquer atleta: Nunca Desistir!

Não pontuou para a Taça do Mundo, mas “pontuou” para o Canal da Mancha e serviu ainda de exemplo aos colegas de equipa que o acompanharam nesta prova.”

Obrigado ainda ao companheiro de aventuras, Miguel Arrobas, que me recebeu em Albarquel para o primeiro conforto pós prova. Valeu.

Agora que venham as Berlengas!!!

Nuno Vicente 28-05-2007

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